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Atemóia

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A atemóia é um híbrido (Annona cherimola Mill x Annona squamosa, L.) que possui algumas das boas características da cherimóia associadas a outras da fruta do conde. Seu cultivo é bastante recente e por enquanto não existem informações, conhecimentos e tecnologias suficientes para dar sustentabilidade a esta fruteira desenvolvida com o uso da irrigação. Vislumbra-se, porém, um potencial de demanda da atemóia para consumo “in natura”, no mercado interno. Por isso, a área cultivada está crescendo.

Atualmente, a atemóia está sendo cultivada no Estado de São Paulo, no norte do Paraná, Minas Gerais, Bahia e Pernambuco, tendo sido introduzida inicialmente nos dois primeiros estados.

 

Clima e Solo

 

A atemóia desenvolve-se melhor quando a média da temperatura máxima varia entre 22º a 28ºC e a média das mínimas está entre 10º a 20ºC, enquanto a temperatura ótima para a maturação dos frutos situa-se em torno de 20º a 26ºC (Tokunaga, 2000). Scchraeder (1943), citado por Kavati (1996), comprova que o pegamento dos frutos de atemóia em condições de temperatura amena (27ºC) com alta umidade relativa do ar (80º) é melhor que em altas temperaturas (30ºC).

 

Espaçamento

 

O espaçamento de plantio tem variado de 4,0 x 3,0m até 6,0 x 4,0m . Temse utilizado o plantio de atemóia intercalado entre plantas de mangueira, goiabeira e pinha também conduzidas sob poda. Neste caso tem-se utilizado o espaçamento mais adensado de 2a 2,5 m entre plantas. As covas de plantio devem ter as dimensões de 40 x 40 x 40cm e deve-se colocar de 15 a 20 litros de esterco de caprino/ovino e mais ou menos 300 gramas de superfosfato simples por cova.

 

Preparo do Solo e Plantio de Mudas

 

Recomenda-se utilizar como fonte de N e K, o Nitrocálcio e o sulfato de potássio respectivamente. Outro elemento imprescindível é o boro. A deficiência, segundo Tokunaga (2000) é responsável pela formação pétrea na polpa que tem início ao redor da semente e pode tomar todo o fruto, depreciando o produto. A deficiência de umidade do solo pode provocar a aceleração da deficiência do boro disponível para a planta. Como precaução, deve-se incluir esse microelemento junto à mistura de fertilizante, na fundação ou via foliar ou via fertirrigação, utilizando como fonte o ácido bórico.

 

Adubação

 

As recomendações para Nitrogênio e Potássio devem ser feitas em função da análise de solo, considerando se a mesma adubação que é indicada para a pinha. Não há restrição a aplicação dos fertilizantes (micro ou macro) via água de irrigação. Recomenda-se utilizar como fonte de N e K, o Nitrocálcio e o sulfato de potássio respectivamente.

 

Polinização

 

Este é um dos fatores mais importantes a ser considerado para a produção comercial da atemóia, contribuindo significativamente para as baixas produtividades obtidas e o insucesso por parte de alguns agricultores que se interessaram em cultivar esta frutífera. A dificuldade de polinização se deve ao fenômeno de dicogamia protogínica, ou seja, apesar de apresentar os órgãos masculinos (androceu) e femininos (gineceu) na mesma flor, a autofecundação é quase impossível, pois o estigma se torna receptível ou viável muito antes do pólen ser liberado. Um outro fator a ser considerado é quanto à posição dos órgãos masculinos e femininos na flor. Observa-se que o órgão feminino está posicionado acima do órgão masculino, impedindo que o pólen se deposite sobre o órgão feminino, tornando a fecundação impossível. Embora a polinização natural contribua para o incremento da produção em anonáceas, a maioria das regiões produtoras, que cultivam estas frutíferas comercialmente, lançam mão da polinização artificial, como forma de obter produções economicamente viáveis e frutos com maior valor comercial. A polinização pode ser realizada de forma natural por insetos coleópteros da família Nitidulídae, porém sua eficácia é considerada baixa. Em Israel a polinização natural em atemóias foi considerada baixa, muito embora a presença de nitidulídeos tenha sido verificada

 

Poda

 

Para a atemóia, existem dois tipos de poda:

 

Poda de formação: Esta poda é realizada em duas etapas: A primeira consiste em eliminar a gema apical (desponte), quando a muda, já em campo, atingir uma altura de 60 a 70 cm de altura, poda-se, com o auxílio da tesoura de poda, a região do ápice da planta. Esta operação estimulará a brotação das gemas laterais que formarão os ramos, os quais serão selecionados para formar a copa da planta. Deve-se selecionar 3 a 4 ramos alternados e orientados nos sentidos Norte/Sul, Leste/Oeste. Com as ramificações já definidas espera-se até que elas atinjam 50 a 60 cm, quando irá se realizar a segunda poda, deixando-se os ramos com estas medidas. As futuras brotações que surgirem nestes ramos serão também selecionadas: ficarão mais 3 ou 4 ramos que tenham um crescimento no sentido de abrir a copa da planta. Os ramos entrelaçados e que tiverem crescimento para dentro da copa da planta devem ser eliminados. Uma vez formada a copa com essa ramificação, deixam-se as próximas brotações desenvolver livremente, eliminando-se apenas os ramos finos, tortos, doentes ou praguejados

Poda de frutificação: Após as podas de formação, quando os ramos definitivos estiverem maduros (mais da metade da extensão do ramo estiver lenhoso), pode-se processar a poda de frutificação, a qual consiste em cortar estes ramos no trecho entre a parte lenhosa e a parte verde ou herbácea (retiram-se as pontas dos ramos - desponte), na mesma ocasião se processa uma Polinização. Recomenda-se deixar alguma folhagem na planta para que ela não interrompa o processo metabólico de imediato.

 

Irrigação

 

Quanto ao método de irrigação, pode-se utilizar desde a aspersão fixa ou convencional, acima e abaixo da copa, e até o pivô central ou linear, visto que as plantas são conduzidas sob poda, com altura controlada. Obviamente, o sistema de irrigação localizada, principalmente a microaspersão, é o mais adequado para as anonáceas, principalmente pela possibilidade de maior eficiência de uso de água e de aplicação de fertilizantes mais eficientes.

 

Pragas

 

Com base em observações, informações de técnicos, produtores e referências bibliográficas, são citadas as pragas assinaladas nesse cultivo:

 

Broca-do-fruto -Cerconota anonella (Sepp., 1830) (Lepidoptera, Stenomidae): As lagartas têm coloração que varia de rosada a verde pardo, atacam os frutos, destruindo a polpa e inclusive as sementes, podendo empupar no fruto ainda na planta ou no solo.

Broca-do-tronco - Cratosomus bombina bombina (Coleoptera, Curculionidae): As larvas, ao fazerem perfurações e galerias no interior dos troncos e galhos, predispõem a planta ao ataque de doenças, como a antracnose.

Broca-da-semente - Bephratelloides pomorum (Hymenoptera, Eurytomidae): o fruto é potencialmente prejudicado pelas perfurações na casca realizadas pelas vespas ao saírem, possibilitando a entrada de microrganismos que causam o apodrecimento do fruto. Esta praga ocorre principalmente na época da seca.

Broca-dos-ramos-novos – Ancylocera cardinalis (Coleoptera, Cerambicidae): É uma coleobroca que penetra pelos ramos finos da planta e, ao atingir o ramo principal, anela o lenho sob a casca. Os sinais iniciais do ataque são o secamento dos ramos finos, por onde houve a penetração da praga e, em seguida, a morte do ramo, a partir do ápice, que enegrece e fica preso à planta.

Besouro-pardo - Bolax flavolineatus (Mann,1829) (Coleoptera, Scarabaeidae): Estes insetos apresentam hábito noturno, atacam folhas, flores e frutos, podendo destruir o limbo foliar, prejudicar a formação do fruto, desvalorizando-o comercialmente e ocasionar a sua queda.

Cochonilha-branca – Planococcus citri (Risso, 1813) (Hemiptera, Pseudococcidae): Ataca folhas e frutos. Nas folhas, localiza-se na parte ventral, sugando a seiva. Nos frutos, penetra nos intervalos entre os carpelos, desvalorizando-os. Em ataque intenso, há o desenvolvimento de fumagina, devido à liberação da excreção açucarada pela cochonilha, o que causa o enegrecimento dos frutos, prejudicando seriamente sua qualidade para comercialização.

Besouro-serrador – Oncideres dejeani (Thomson, 1868) (Coleoptera, Cerambicidae): . Os danos são causados pelas larvas e pelos adultos. As larvas alimentam-se do lenho e os adultos serram os ramos até seccioná-los, provocando sua queda. Além de reduzir a produção, este inseto prejudica a arquitetura da copa da planta.

Abelha-cachorro ou Irapuá – Trigona spinipes (Fabr., 1793) (Hymenoptera, Apidae): Os adultos atacam flores e frutos, prejudicando a frutificação. Em frutos novos provocam ferimentos na casca, deformando-os ou permitindo a entrada de patógenos que causam sua queda. Nos frutos maduros, abrem diversos orifícios destruindo-os totalmente.

 

Produtividade e Colheita

 

A colheita de atemóia, tem ocorrido de 6 a 7 meses após a poda (varia com a época da poda) e a mesma estende por um período de 30 a 40 dias, isto em pomares onde se realiza polinização artificial e controle de número de frutos por planta. Para determinação do ponto de colheita é importante o aspecto relacionado com a mudança de coloração dos frutos de verde escuro para verde claro, assim como o distanciamento entre os carpelos e a cor mais clara entre os mesmos.

A atemóia é mais conhecia e comercializada no Sudeste do país, principalmente em São Paulo. Nas demais regiões a fruta tem pouca presença no mercado, tanto pelo desconhecimento da fruta pelos consumidores, quanto pela pequena oferta do produto no mercado. Para o mercado do Sudeste o preço da fruta varia com a classificação, ou seja, frutos acima de 300-350 g (de 6 a 12 frutos por caixa de papelão + 4,0kg) atingem as melhores cotações, os demais (de 13 a 18 frutos por caixa) tem preços inferiores. No mercado do Nordeste a comercialização tem sido por quilo, independente da classificação, no entanto, o preço médio tem ficado abaixo do praticado no Sudeste.

 

 

 

Fonte:

Embrapa – Circular Técnico Online 103: Produção de Atemóia no Submédio São Francisco.

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