Plantar e Colher

NESPERA


 

A nêspera (Eriobotrya japonica Lindl.), pertence à família Rosaceae e tem como centro de origem a Ásia, muito relacionado a isto a maior região produtora da fruta no Brasil é Mogi das Cruzes, que iniciou o cultivo na década de 40, tendo hoje uma produção de 2 milhões de caixas/ano (caixa de 5kg), do total de 3.700.000 de caixas produzidas no Estado de São Paulo, que tem aproximadamente 320.000 plantas em produção, onde 70% estão concentradas na maior região produtora.  Sendo assim, o Brasil é um dos maiores produtores de nêsperas, perdendo apenas para países como Japão, Espanha e Israel.

A nespereira é uma espécie subtropical, desenvolve-se bem em regiões onde a temperatura média anual está acima de 15ºC, não sujeitas a temperaturas abaixo 3ºC, onde frutos novos podem morrer. Suas exigências climáticas são, em vários aspectos, comparáveis às dos citros, onde a

quantidade total de água que a planta necessita durante o ano é, em geral, satisfeita com as chuvas, ressaltando a importância de uma cobertura morta, para manter esta umidade.

Muitas vezes, porém, ela é mal distribuída e insuficiente durante o período de desenvolvimento dos frutos, ocasião em que a irrigação poderá ser usada com vantagens.

A planta é de pequeno porte e suas raízes são pouco profundas, podendo tombar sob a ação de ventos fortes, se o porta-enxerto for o marmeleiro, de raízes mais superficiais. Os ramos são resistentes, não havendo perigo da quebra pelo vento, mas os frutos podem ser prejudicados pela fricção contra as folhas e ramos vizinhos. Assim, recomenda-se a instalação do pomar nas faces menos batidas pelos ventos, ou pela conveniência de utilização de quebra-ventos. Quanto ao solo, desenvolve-se bem nos mais variados tipos, devendo ser evitados os excessivamente arenosos ou argilosos, devido aos seus problemas estruturais, que podem prejudicar a planta.

Nas condições da região Sudeste, o período de produção dos frutos inicia-se em maio e estende-se até meados de outubro, o que vem a ser uma excelente alternativa para a diversificação de propriedades frutícolas, uma vez que na época de safra da nespereira existem escassezes de outras frutas estacionais no mercado.

Sem desbaste, é uma fruta pequena, de cor amarela e casca aveludada, de modo errôneo chamada popularmente de ameixa-amarela ou ameixa-japonesa. É uma fruta rica em vitamina C e sais minerais, como o cálcio e o fósforo, e seu consumo além de suprir as necessidades de vitamina pode auxiliar no combate a gripes e infecções. A nêspera é consumida ao natural ou em salada de frutas, pode-se também fazer compota.

 

 

O fruto é do tipo pomo, sendo a porção carnosa constituída de receptáculo floral desenvolvido. As nêsperas variam na forma, de esférica a piriforme; no peso unitário, de 10 a 80 gramas, e na coloração da pele, de amarelo-pálida a alaranjado-forte. A polpa, que é suculenta e de aroma suave e agradável, pode ser firme e carnosa em algumas variedades e mais fundente em outras, apresentando coloração que vai desde branca até alaranjado-salmão. Devido a essas variações, existem alguns diferentes tipos de nêsperas no mercado, como Mizuho, Precoce de Itaquera, Precoce de Campinas (IAC 165-31), Parmogi (IAC 266-17), Nectar de Cristal (IAC 866-7), Centenária (IAC 1567-420), Mizumo (IAC 1567-411) e Mizauto (IAC 167-4).


Mizuho’


Cultivar obtido no Japão e introduzido em São Paulo por volta de 1950. Encontrou boa aceitação por parte dos nossos fruticultores. Os frutos são grandes (60 a 80 gramas), oval-arredondados, de coloração amarelo-alaranjada; polpa delicada, sucosa e de sabor doce-acidulado suave. Possui grande número de sementes. As plantas são vigorosas e muito produtivas; frutificam com regularidade todos os anos. No entanto, têm o defeito de produzir frutos muito suscetíveis à mancha-arroxeada, distúrbio relacionado ao cultivar e à insolação, que afeta a epiderme e prejudica a aparência.

 

‘Precoce de Itaquera’
Denominado Tanaka pelos fruticultores paulistas, trata-se provavelmente de uma seleção local do cultivar Mogui. É o mais cultivado no Estado. Os frutos são grandes, de coloração bem alaranjada, polpa firme, carnosa e de sabor fortemente doce-acidulado. São em média, um pouco menores que os do cultivar Mizuho e, em geral, apresentam menor número de sementes. Por terem a polpa firme, são mais resistentes ao transporte. Os frutos são também sujeitos ao prejuízo causados por mancha-arroxeada, porém com intensidade muito menor que no ‘Mizuho’.

 

 

Néctar de Cristal’ (IAC 866-7)
Fruto de tamanho médio (30 a 40 gramas), bem arredondado, cavidade calicinal pequena e rasa; coloração amarelo-viva, limpa, praticamente sem mancha-arroxeada. Aspecto bastante atraente, com boa uniformidade no formato e coloração dos frutos. Polpa de espessura média, branco-creme brilhante, macia e bem suculenta; sabor doce-acidulado forte, aromático, dos mais agradáveis; sementes de tamanho médio, em número de quatro por fruto bem desenvolvido. Trata-se de uma nêspera que apresenta características bem peculiares, no aspecto externo e interno e principalmente, no paladar, mais completo e superior; a polpa é um tanto delicada no fruto maduro. Assim, é interessante que o seu cultivo se faça, a princípio, em escala limitada, destinando-se a produção ao mercado próximo.

 

 
‘Mizauto’ (IAC 167-4)

Fruto graúdo (60 gramas em média), oval-piriforme; coloração bem alaranjada, pouco sujeita à mancha-arroxeada; aspecto atraente. Polpa espessa, alaranjado-clara, de consistência média e suculenta. Sementes de tamanho médio, em número de quatro a seis por fruto bem desenvolvido.Mizauto’ assemelha-se ao ‘Mizuho’ no seu aspecto vegetativo e produtivo, e no paladar dos frutos. Apresenta frutos oval-piriformes, porém de melhor coloração e com a vantagem de serem menos afetados pela mancha-arroxeada.

 ‘Mizumo’ (IAC 1567-411)
Fruto bem graúdo (65 gramas em média), arredondado, coloração alaranjada. Polpa espessa, alaranjado-clara, de boa consistência, porém macia e suculenta. Sabor bem agradável, doce-acidulado equilibrado. Sementes de tamanho médio, em número de cinco a seis por fruto desenvolvido. Planta bem vigorosa, com abundância de ramos frutíferos de comprimento médio. Enfolhamento denso. Produtividade excelente. Os maiores méritos do ‘Mizumo’ são frutos que impressionam pelo bom aspecto e excelência do sabor e plantas das mais vigorosas e produtivas. Essas qualidades o indicam como importante alternativa ao ‘Mizuho’. Entretanto, os frutos quando não bem protegidos são sujeitos à forte incidência de mancha-arroxeada, o que demanda cuidado especial no seu ensacamento, a exemplo do que se recomenda para o cultivar Mizuho.


‘Centenária’ (IAC 1567-420)

Fruto graúdo (60 gramas em média), oval-arredondado, pele alaranjado, pouco sujeita á mancha-arroxeada. Aspecto atraente, com boa uniformidade no formato e coloração dos frutos. Polpa bem espessa, alaranjado-clara, tenra e suculenta. Sementes de tamanho médio, em número de cinco a seis por fruto bem desenvolvido. Planta de bom vigor, enfolhamento meio ralo; ramos frutíferos de comprimento médio; cachos de tamanho médio e compactos que facilitam o desbaste e o ensacamento dos frutos. O nome Centenária foi-lhe conferido em homenagem ao aniversário dos cem anos do Instituto Agronômico.

A propagação da nespereira se dá por sementes; as plantas, no entanto, apresentam-se bastante heterogêneas na vegetação e, principalmente, na produção e nas características dos frutos. Assim, para a instalação de um pomar comercial, devem ser utilizadas as mudas enxertadas com as variedades desejadas, que podem ser adquiridas de viveristas, ou formadas pelo próprio fruticultor.
As mudas devem ser produzidas em recipientes, sendo as sementes extraídas de frutos maduros, secas à sombra e semeadas em cerca de uma semana, garantindo assim elevada germinação. As mudas são enxertadas sobre pés francos de porta-enxertos oriundos de sementes da própria nespereira, de qualquer cultivar, uma vez que ainda não existe porta-enxerto específico. O ponto de enxertia ocorre após 8 a 12 meses da semeadura, onde o porta-enxerto encontra-se com 1 cm de diâmetro na região de enxertia (30 a 40cm de altura). A enxertia se faz em qualquer época do ano, por processo de garfagem, preferivelmente do tipo “inglês simples” e cobertura com saco plástico enrolado ao garfo (enxerto). É importante que cerca de três a quatro folhas sadias do porta-enxerto sejam deixadas abaixo da parte enxertada, o que garante o melhor pegamento e mesmo o desenvolvimento das mudas enxertadas.
Há perspectiva promissora de cultivo de nespereiras enxertadas sobre marmeleiros, o que propicia plantas de menor crescimento que possibilita o espaçamento adensado e originando pomar de porte mais compacto.
Os espaçamentos requeridos para a nespereira são 8 x 4 m a 8 x 6 m (plantio convencional; nespereira/nespereira) e 4 x 2 m a 5 x 3 m (plantio adensado: nespereira/marmeleiro). As quantidades de mudas necessárias são: 207 a 312 e 666 a 1.250/ha, de acordo com o espaçamento.

O plantio das mudas deve ser realizado no período quente e chuvoso de cada região. Para o Estado de São Paulo, recomenda-se o plantio a partir de outubro. As covas devem ter dimensões de 60x60x60cm.


As principais técnicas culturais empregadas na cultura da nespereira são: adubação (de acordo com a análise de solo, capinas, podas de formação e de limpeza, desbaste e ensacamento dos frutos. O desbaste dos frutos e a proteção dos remanescentes, três a cinco por cacho, com folhas duplas de papel são operações indispensáveis para a obtenção de produto comercializável. O ensacamento com papel opaco, além de proteger as frutas contra as pragas, controla a incidência de “manchas-arroxeadas”, o que deprecia amplamente os frutos para o comércio, especialmente no cultivar Mizuho, o mais suscetível a esse distúrbio genético-fisiológico.




As principais pragas que atacam as nespereiras são os pulgões, mosca-das-frutas e a mariposa oriental. Como controle, é indispensável o ensacamento dos frutos. No caso das doenças, apenas há maiores preocupações com a entomosporiose, em plantas jovens e a antracnose, eventualmente em plantas adultas.

Uma nespereira adulta (mais de oito anos), bem desenvolvida e em pomar convencional (200 plantas por hectares), são aproveitados anualmente, após o desbaste, de 400 a 500 cachos frutíferos, ou seja de 1.500 a 2.000 frutos. Isso proporciona uma produção média ao redor de 50 kg por planta, correspondente a 10 toneladas por hectare.

A colheita é efetuada durante o período que vai de maio a outubro, realizando-se diversos repasses e colhendo-se somente os frutos bem maduros. São colhidos cachos inteiros, juntamente com os sacos que os envolvem, assim, transportados ao galpão, em cestas rasas de colheita.
As nêsperas destinadas ao mercado atacadista são normalmente embaladas em caixas de madeira, com medidas internas de 45 x 26 x 7 cm. Essas caixas comportam de 70 a 150 frutos, dispostos em duas camadas, e têm um peso liquido aproximado de 5 kg.

É importante que os frutos embalados na mesma caixa sejam bem uniformes quando ao tamanho e à coloração, a fim de conseguirem boa cotação no mercado. Assim, no ato da embalagem, é de toda a conveniência fazer a separação dos frutos em duas ou três categorias, anotando-se número de frutos do lado externo da caixa.

No varejo, as nêsperas são apresentadas sob diversas maneiras atendendo-se às conveniências da venda, que se faz por peso: nas próprias embalagens já citadas, ou reembaladas em caixetas de papelão, bandejas de isopor e vasilhames afins.

 



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