por Vanda H.P.Bueno, Laboratório de Controle Biológico
As cochonilhas são um grupo
de insetos que possuem tamanho pequeno e formas variadas. São insetos sugadores de seiva que se
destacam por seu ataque tanto direto como indiretamente,podendo
causar danos bastante expressivos
e comprometendo a produção.
Embora mais de quinze espécies
de cochonilhas possam ocorrer em
cultivos protegidos, as mais prejudiciais pertencem aos gêneros
Pianococcus e Pseudococcus (Pseudococcideae). Entre essas, P.
citri é uma das mais importantes por
causar danos econômicos em muitos cultivos, ser tolerante a uma
grande variedade climática e constatada em mais de 25 plantas.
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Um de seus primeiros registros em cultivos protegidos no Brasil foi em cultivo de cactos, causando sérios prejuizos caracterizados
pela redução do valor estético e
comercial das plantas. Essas cochonilhas são conhecidas como
cochonilha branca ou farinhenta,
pelo tato de a maioria das especies
de Pseudococcidade ter o corpo
coberto por uma capa cerosa
finamente granulada que lhes da o
aspecto de haverem sido envolvidas em farinha branca, sendo chamadas de mealy bug. Aparecem com
frequência em cultivos de ornamentais, mas podem também gerar problemas em cultivos de tomate, e
com menos intensidade em pepino, melão e berinjela. Também podem
atacar hortaliças folhosas, como a
rúcula. Além da sucção contínua da seiva, as cochonilhas de pauperam toda a planta, prejudicando seu metabolismo. Atrai formigas devido a secreção de honeydew ou mela o que tambem favorece a formação de fumagina, fungo de coloração negra que acaba recobrindo toda a superfície atacada e influindo diretamente na fotossíntese da planta. |
| Cochonilha em planta de rúcula |
As
cochonilhas também podem ser inseto vetor de doenças viróticas. Em
termos econômicos, pertencem a um
grupo de insetos bastante nocivos,
podendo ocorrer nas partes areas e
nas raízes das plantas. Frequentemente, observa-se escoloração das
folhas acompanhada de necrose nas bordas, manchando frutos e flores,
reduzindo a qualidade e o valor comercial do produto final.
As fêmeas de P. citri medem de 2,5
a 4 mm de comprimento por 2 a 3
mm de largura. São insetos de corpo mole, de formato oval, relativamente imóvel, de coloração geral
castanho-amarelada, recoberto por
uma secreção pulverulenta de cera
branca, e com longevidade de 87,6
dias.
Um dos primeiros
registros de
cochonilhas em
cultivos protegidos
no Brasil foi em
cultivo de cactos,
causando sérios
prejuízos
caracterizados pela
redução do valor
estético e comercial
das plantas. Essas
são conhecidas
como cochonilha
branca ou
farinhenta.
Os machos são menores que
as fêmeas, têm o corpo diferenciado em cabeça, tórax e abdome e um
par de asas, e longevidade de 2 a 4
dias. Os estádios de desenvolvimento dos machos se assemelham aos
da fêmea, havendo diferenciação a
partir da segunda ecdise, na qual o
macho fabrica um casulo para completar sua metamorfose. Os machos
das cochonilhas passam por quatro
instares enquanto as fêmeas completam a fase ninfal em três instares,
sendo moveis em todos eles. As
ninfas de primeiro instar têm coloração amarela, não são recobertas de
cera e possuem maior atividade
locomotora. Machos e fêmeas são
idênticos neste instar.
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Depois da primeira muda (troca de pele) o inseto
se torna sessil, isto ê, fixa-se em um
determinado local sem sair mais.
As ninfas de segundo instar são maiores, de coloração amarela mais escura e menos ativa que as do primeiro instar. As ninfas de terceiro instar da fêmea possuem apêndices ao redor do corpo em numero de 18 pares. As fêmeas fertilizadas põem ovos no interior de uma substância lanuginosa, de cor branca, que secretam junto ao seu corpo, servindo para protegê-los. As fêmeas colocam, em média, cerca de 300 ovos, com período de oviposição de 15 a 26 dias. A temperatura influencia o desenvolvimento do ovo a adulto enquanto a umidade relativa tem maior influência sobre o desenvolvimento da dos ovos. A temperatura ótima para o desenvolvimento de P. citri é 26°C e a umidade relativa de 60%. |
Colônia de cochonilha no tronco da planta |
O
conteúdo de nitrogênio na planta
tem grande influência na reprodução dos mealy bugs, ou seja, maior
conteúdo de nitrogênio leva a um
mais rapido crescimento
populacional dessas cochonilhas.
Essas cochonilhas vivem em colônias constituídas por ninfas de diversos instares e fêmeas adultas. Sua disseminação ê muito rapida,
pois tanto ninfas quanto as fêmeas
adultas podem ser levadas pelo vento, pela movimentação do homem e
do ar no interior da casa de vegetação ou migrando por locomoção própria para outras plantas. A ocorrência da cochonilha pode ser constante durante todo o ciclo do cultivo, variando, entretanto, a intensidade de
infestação, sendo a fase reprodutiva
da cultura considerada a mais critica. Em cultivos de ornamentais, a
mera presença de mealy bugs e suficiente para tornar o produto não
comercializavel; assim
, uma população muito pequena pode causar dano
econômico considerável.
O controle cultural e bastante importante, ou seja, sempre retirar ramos e galhos e ou outros materiais
das plantas infestados do interior
das casas de vegetação. O processo de poda pode ser um importante
aliado no combate de focos de
infestação. Tambem o
monitoramento, por meio da vistoria das plantas auxilia na detecção
da presença das cochonilhas principalmente na fase de crescimento
inicial das plantas.
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O controle biológico tambem tem
papel importante contra esses insetos. São relatados agentes biológicos como vespinhas parasitóides e
predadores coccinelideos (joaninhas)
que atacam as cochonilhas. O
parasitóide Leptomastix dactylopii é
uma vespinha que ataca especificamente P. citri é nativa da America do
Sul, provavelmente do Brasil, mas
está dispersa em muitas áreas do
mundo. Os adultos desse parasitóide
possuem coloração marrom-amarelada; a fêmea ataca principalmente o
terceiro estadio e o adulto de P. citri pode ovipositar de 200 a 300 ovos em
20 a 30 dias. Cada fêmea deposita
um ovo por cochonilha. |
| Joaninha predadora Cryptolaemus montrouzieri |
Dentre os predadores, o mais utilizado e eficiente é a joaninha Cryptoaemus montrouzieri . Desde 1992, vem sendo utilizada
para o controle de pseudococcideos
e coccídeos em casas de vegetação.
Os adultos medem de 3 a 4 mm de
comprimento, são de coloração marrom-escura com cabeça alaranjada.
Predam as cochonilhas em todas as
fases de desenvolvimento, alimentando-se vorazmente. Podem
ovipositar cerca de 400 a 500 ovos,
os quais são depositados na massa
cotonosa produzida pela cochonilha.
As larvas dessa joaninha são brancas, cobertas de secreções cerosas
e por esse motivo se confundem com
as cochonilhas. São bastante ágeis
e consomem até 250 ninfas jovens
de P. citri durante seu desenvolvimento, sendo mais eficientes quando a população de cochonilhas é
alta, embora tenham alta capacidade de busca quando a infestação e
baixa. Têm sido observadas se alimentando ativamente da cochonilha
rosada do hibisco.
Outras espécies de joaninhas têm
sido observadas predando as
cochonilhas, como Azya luteipes, Hyperaspis notata, Pentilia egena,
alem de várias especies de sirfideos.
O uso de inseticidas contra as
cochonilhas vem também criando
um difícil problema nas casas de
vegetação, porque ate agora elas
somente podem ser efetivamente
controladas por meio de aplicação
sistemática regular de inseticidas.
Assim, a necessidade do controle
biológico tem se tornado mais in-
tensa, no sentido de evitar o uso
indiscriminado de inseticidas
sistêmicos contra essas pragas.
Então, a observação da presença
de inimigos naturais pode ser importante ponto quanto ao manejo
desta praga em condições de cultivo protegido.
Fonte: Revista Plasticultura - Agosto 2010