Colhendo resultados
Pesquisas de 16 meses envolve o setor supermercadista e mostra a relação entre produtores e varejo no segmento de hortaliças e frutas.
Terminou a primeira fase do programa de fortalecimento das cadeias produtivas do Alto Tietê e região metropolitana de São Paulo. No dia 11 de agosto, no Espaço APAS, em São Paulo. O engenheiro agrônomo do Sindicato Rural de Mogi das Cruzes e coordenador técnico do Programa , Renato Abdo, apresentou os resultados do trabalho de pesquisa para aproximadamente cem produtores rurais do Alto Tietê e representantes de entidades envolvidas.
Segundo o levantamento, o mercado de hortaliças e frutas vai bem, mas precisa ser melhorado e tem potencial para isso. Pelo menos 67% dos compradores de hortifruti não sabem a procedência dos produtos que compram; 49% têm apenas um fornecedor; 42% têm apenas três ( mercado concentrado); 91% dos compradores não oferecem e nem recebem suporte do fornecedores; 70% afirmam que há espaço para negociação e acordos.
O programa, apelidado carinhosamente de Projetão pelos próprios agricultores, mostra também que falta pro atividade por parte dos fornecedores. Detectou-se a necessidade de ampliar o relacionamento com o varejo, estabelecer parcerias e implantar um trabalho pós venda junto ao setor. A pesquisa aponta que 76% dos entrevistados acreditam que a característica mais importante do bom produtor é o cuidado com a qualidade do produto.
O estudo mostra ainda que 85% dos varejistas estão satisfeitos com o atendimento de seus fornecedores, mas apenas 25% acham o atendimento ótimo. Ou seja, é possível estreitar ainda mais esse relacionamento. A saúde do planeta e das pessoas ganha cada vez mais importância junto aos consumidores e varejista, visto que 80% deles comprariam produtos com embalagens biodegradáveis e 71% até aceitariam pagar mais por isso.
Estiveram presentes na cerimônia de encerramento da primeira fase do Projetão o diretor técnico do Sebrae-SP, Pulo Arruda, a gerente regional do Sebrae-SP do Alto Tietê, Ana Maria Mgni Coelho, o secretario de Agricultura de Mogi das Cruzes , Oswaldo Nagao, o presidente do Sindicato Rural de Mogi das Cruzes, Minoru Môri, o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Ricardo Bártoli, e o superintendente da APAS, Carlos Corrêa. “É nosso papel apoiar todas as iniciativas de entidades ligadas ao setor que favoreçam as relações comerciais, melhorando o atendimento ao consumidor e estimulando os negócios. Aproveito a oportunidade para declarar o nosso apoio à segunda fase do programa”, afirmou Corrêa.
Metodologia
Todo o trabalho foi feito por meio de um levantamento de indicadores socioeconômico e ambientais de 167 propriedades rurais de região do Alto Tietê (SP), além de imagens coletadas por satélite.
A sistematização das informações em banco de dados possibilitou o monitoramento e o gerenciamento das áreas acompanhadas. Foi realizado, ainda um minucioso levantamento de informações com 300 pontos de mercados varejistas da grande São Paulo.
A análise da competitividade econômica dos diferentes canis de comercialização, o desenvolvimento de uma base sólida de informações, dotando os próprios produtores locais e regionais de ferramentas para tomada de decisões, a melhoria no sistema de gestão das propriedades envolvidas no projeto, com base nos planejamentos e programações de plantio e colheita, baseando- se nas adequações mercadológicas, sempre foram os objetivos principais.
Histórico
O Projetão foi criado pelo Sebrae-SP e pelo Sindicato Rural de Mogi das Cruzes, em parceria com a APAS e Abrasel, e visa a mobilização e a aproximação entre os segmentos produtivos e mercadológicos.
O investimento total na primeira fase foi de aproximadamente R$ 440 Mil, aportados principalmente pelo Sebrae-SP, mas também pelo Sindicato Rural de Mogi das Cruzes e demais parceiros.
As informações do diagnóstico contam com imagens de satélite e imagens 3D das regiões visitadas, possibilitando o georreferenciamento das propriedades envolvidas e o conseqüente monitoramento da produção, fundamental para a atimização da cadeia.
A segunda fase, prevista para 2010, deve desenvolver a modernização dos sistemas produtivos e comerciais e fortalecer ainda mais o setor.”Conseguiremos ter uma base tecnológica aberta, disponibilizada em portal, e que gere imagens e informações em tempo real”, garante o coordenador do programa, Renato Abdo.
Fonte: Revista Super Varejo -pags:154 e 155 - Set/2009
<< Voltar para casos de sucessos